domingo, 29 de outubro de 2017

Poema: Insuficiente

Insuficiente
Ando calado fingindo estar tudo bem,
guardo mágoas e me sinto refém.
É difícil aceitar, é difícil acreditar.
Viver o momento em que tudo é perfeição, um toque, um cheiro, uma aproximação
de bocas... são transformados em uma avalanche de luxúria, prazer, carne, desejo e força.
Todo mundo vê!
O que todo mundo vê?
É estranho tudo parecer tão certo, faz parecer o impossível ser errado.
Perceber verdades fere, tiram a fantasia.
Uma simples fala, um simples gesto, um empurrão ou uma vírgula. Já te faz lembrar quem você é e o que você é.
Por todas essas noites vazias, não te fez notar?
Não me resta mais nada, além de aceitar.
Angústia
Ódio
Frustração
Continuar a viver querendo ser um querer.
Não me resta mais nada, além de sofrer.
Todos os anos e histórias serão esquecidos.
Saiam todos vocês!
Deixem-me aqui com minhas tristezas, abandonem-me com meus pensamentos. Tranquem-me com minhas indecisões... largado na vida que não vivi.
Amaldiçoado por ser gênio.
Acredito ou não nas coisas que tenho?
Fuja pra sempre e nunca mais volte!
Acabe com a gente!
Não sou uma “saudade boa de ser lembrada”
Não sou “marca boa a ser deixada”
...sou o que não deveria existir.

Ali Chamas

29/10/2017

domingo, 16 de julho de 2017

Poema: Mentiras

Mentiras

Ela Mentiu,
não tem mais volta
solta, se solta.
Desamarra esse sentimento
o tempo...
passou
Ela não voltou.
Fez você perceber
que por Ela, tu não vai vencer.
Ela iludiu,
por ti, nunca sentiu.
Juras, puras,
criando verdades,
vontades tuas
não serão realidade.
Você não entende
a raiva aflora
expulsa da mente
mas ela não vai embora.
Por que Ela?
Se não faz bem.
Por que Ela?
Se não te quer tão bem.
Triste,
insiste,
briga,
PARA!
Aprende...
Mas... Ela é tão rara.
Podem julgar, que seja, drama.
Só você, conhece a trama
inteira...
certeira
te fez bem.
Aceita.
Não és tu, o seu alguém.
Viu amor,
sentiu sabor,
deu carinho.
Ela diz,
que fez sozinho,
que foi sozinho,
tudo o que sentira.
Parece que viveu, uma história de mentira.


Ali Chamas
16/07/2017

sábado, 10 de junho de 2017

Poema: Voltar a ser um lar

Voltar a ser um lar

Chegar em casa e não encontrar um sorriso encantado.
Abrir a porta e perceber que não foi notado.
Nenhum barulho indicando o quanto está atrasado.
Estagnado,
Eu começo a pensar

quantas vidas mais, eu terei para acertar
cansado de errar
vontade de parar,
parar de respirar.
Saudade
Um caderno cheio de atividades
Um marujo no meio das tempestades
Me entupir de brincadeiras, cheio de vontades
É sobre viver em um mundo sem a mínima maldade.
Não demore pra chegar.

Não vejo a hora de abraçar
rir e sentar
beijar
falar
andar e amar.
Faço de tudo pra ter você de volta ao lar.


Ali Chamas
09/06/2017

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Sopro do Pensamento: O presente


Era noite gelada de sopros cortantes quando um choro agudo vindo de uma viela atravessava o silêncio imposto pela lua, aproximei do local mal iluminado e nada vivo transitava por ali, pelo menos não aos meus olhos. Do outro lado vinha cambaleando na tentativa de caminhar um sujeito sujo, exalando cheiro de urina, a barba por fazer juntava-se com cabelos maltratados pela falta de banho. Vestia um sobretudo cinza todo furado, sua calça rasgada da coxa até o traseiro, expulsava cores de rua fétida. Os pés cascudos e descalços tinham enraizado a cor preta da sujeira, nas mãos com unhas podres uma garrafa plástica com liquido de cheiro etílico. Ficou perplexo com o som que ouvia, mas seguiu achando que havia bebido demais, chegou mais próximo a um amontoado de sacos de lixo, estava com muita fome e se lamentava por essa ser a única forma de sacia-la.
Ao rasgar o primeiro saco de lixo atolou seus dedos em papel higiênico usado, aquilo não o fez expressar nenhum enojamento, o que me levou a crer que era corriqueira aquela situação. O choro me agoniava, mas não causava efeito algum no rapaz. Entre um lixo e outro o sujeito de nome esquecido ergue contra a luz mal projetada um saco preto, ao abrir, seus olhos espantados confirmaram a estranheza da origem do som, se espantou pela sobrevivência e engoliu seco, era um bebê. Estava enrolado em uma manta rala de cor azul.
Ainda com riscos de sangue no corpo e um curativo porcamente feito, a criança com cor de barro desistiu do choro e se calou. A fome do rapaz era enorme, assim como o teor de álcool em seu sangue, surgiu o pensamento de que a criatura não faria falta para ninguém se morresse, e talvez fosse uma refeição saborosa e com a carne suculenta e macia, pensou por uns instantes enquanto analisava o pequeno com expressão sofrida e cansada do dom da vida. De repente uma espécie de soco psíquico o golpeou e reprimiu aquele pensamento para sempre.
Havia desistido de caçar comida quando percebeu que alguns garotos desciam o escadão ao lado, levantou com os joelhos molhados pelo chorume, envolveu a criança em seus braços junto ao peito e apressou seus passos. No caminho sentiu um pouco de medo, não acreditariam no que ele havia encontrado em sua busca por comida, mas sabia que o pequeno não sobreviveria em meio a resto de comida e papel higiênico usado. Decidiu deixa-lo na porta de alguma casa que pudesse ajudar. Arquitetou tudo, o deixaria em frente a uma casa do bairro, apertaria a campainha e correria para que ninguém o visse devolvendo o direito de viver para o bebê, evitaria explicações. O neném acordou, mas chorava sem forças, pensou que tinha de se apressar, não entendia a razão de jogar uma criatura sem defesas direto para a morte, ele não venceria contra o simples nó da sacola.
Parou em frente a uma casa de esquina, deduziu que ali vivia uma família decente com bom coração. A casa castigada pelo tempo tinha cor verde, seu portão de ferro tentava esboçar alguma proteção com suas pontas de lança afiadas. A caixa de papelão que encontrou próximo do local serviu de berço confortável para o coitado que não chorava mais, o mendigo não quis verificar se ainda estava vivo. Preparou-se para partir, o acordar do sol estava próximo, tocou a campainha por três vezes e partiu a passos largos em direção ao outro lado da calçada. 
O ouvido que escutou o choro agudo, agora escutava o som do pneu derrapando no asfalto, era a morte lhe encontrando em forma de carro guiado por jovens, igualmente bêbados. A ironia vem em forma de destino, ao abrir o saco para retirar uma vida, o deixou aberto para que sua própria morte o preenchesse.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Poema: Silêncio

Silêncio

Fazemos do preto
um arco-íris reluzente
da calmaria,
reviramos em bagunça
mesmo que sem mover um músculo.
Podemos nos transformar em Reis,
gloriosos por batalhas e conquistas
governar Reinos,
se aventurar em bosques encantados,
mergulhar em lagos mágicos
e salvar lindas Princesas.
Podemos ser astros da música
ter uma voz magnífica
encantarmos a multidão
e sermos aclamados por eles.
Jogamos um excelente futebol,
salvamos vidas em risco,
pilotamos carros de fórmula 1,
saltamos de prédios,
somos peritos em arte marcial
e ganhamos milhões de dinheiro.
Construímos uma longa carreira
de sucessos e prazeres,
nos vemos no futuro
com filhos lindos correndo pela casa
e uma esposa perfeita aos nossos cuidados.
Recebemos um confortável e macio abraço
de nossa maravilhosa mãe.
Estamos entre os magistrais amigos
tendo gargalhadas
entre as simplórias conversas
e saboreando uma verdadeira amizade.
Podemos realmente dizer
que somos felizes.
E mesmo assim
se dermos uma pausa
na avalanche de pensamentos
que nos dão motivo para a alegria,
a escuridão e o frio
tomam nossos corpos em instantes.
Entre um silêncio e outro
percebemos que somos sozinhos,
percebemos que fomos completos apenas no passado,
percebemos que com o passar do tempo
somente as tristezas aumentam
e que as felicidades seguem apenas uma linha.
Pensamentos desgraçados nos tomam a mente
nos sugam o brilho,
agora estamos em conflito
no meio da loucura e a realidade,
é cada vez mais desgastante.
Os danos físicos
podem causar dores enormes,
mas dor inexplicável
é o sofrimento por ter a solidão.


Ali Chamas                          19/05/2009

Poema: Dizeres

Dizeres

E se eu lhe dissesse
que ao teu cantar
soara como a mais perfeita
sinfonia de Bethoveen.
E se eu lhe dissesse
que ao teu olhar
a mais brilhante das estrelas
ilumina o paraíso.
E se eu lhe dissesse
que ao teu sorrir
encanta e desperta alegria
em até mesmo o ápice dos infelizes.
E se eu lhe dissesse
que a solução do meu estresse
causado por poluições diversas
é escutar o teu cantar.
E se eu lhe dissesse
que a mais pura certeza
de felicidade,
vem com o teu olhar.
E se eu lhe dissesse
que a mais árdua tristeza
é curada com apenas o mais singelo
dos teus sorrisos
e se eu lhe dissesse
o quanto preciso diariamente
do teu cantar,
do teu olhar,
e do teu sorriso.
E se eu lhe dissesse
o quão importante és a mim.
E se eu lhe dissesse
que não há ninguém tão realizado
quanto a mim, estando ao teu lado.
E se algum dia dizeres
que não sou eu o seu querer,
ficarei em uma constante
doença amargurada
e morrerei todos os dias
em uma dor
sem tempo de fim.

18/02/2009                          Ali Chamas.

Mayssa Ali Chamas

Apenas para agradecer todo o carinho que recebemos de todos.
Ao acordar de uma noite mal dormida, em segundos me dei conta que era o grande dia. Confesso que os sentimentos eram estranhos, estava nervoso, ansioso e extremamente quieto.
Ao ver a Mainã, meu humor mudou, talvez porque eu sabia que ela precisava rir um pouco, descontrair. A partir dai, foi só alegria e espera, com nosso jeitinho "bixos" de ser, encantamos todo o hospital fazendo todos rirem e gostar de nós. Na chegada da hora do parto, é claro que o paizão foi acompanhar o parto! (hahaha) fiz meu papel bem, fiquei ao lado dela, a fiz rir mesmo sendo cortada! Quando aceitei o desafio de ver a retirada do bebê o destino me pregou uma peça. Acabei desmaiando, mas não aquele desmaio de filme, apenas perdi os sentidos durante alguns dois segundos e já fiquei bem novamente. Foi engraçado e claro que iria acontecer comigo. 
Mayssa nasceu com 3,4 quilos e 0,49 centímetros no dia 01/02/2013, um bebe que encantou a equipe medica. Os médicos elogiaram os pais da Mayssa também disseram que somos muito, muito, mas muito divertidos.
Seja bem vinda e tenham a certeza de que iremos fazer tudo para o futuro brilhante de nossa pupila.