quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Sopro do Pensamento: O presente


Era noite gelada de sopros cortantes quando um choro agudo vindo de uma viela atravessava o silêncio imposto pela lua, aproximei do local mal iluminado e nada vivo transitava por ali, pelo menos não aos meus olhos. Do outro lado vinha cambaleando na tentativa de caminhar um sujeito sujo, exalando cheiro de urina, a barba por fazer juntava-se com cabelos maltratados pela falta de banho. Vestia um sobretudo cinza todo furado, sua calça rasgada da coxa até o traseiro, expulsava cores de rua fétida. Os pés cascudos e descalços tinham enraizado a cor preta da sujeira, nas mãos com unhas podres uma garrafa plástica com liquido de cheiro etílico. Ficou perplexo com o som que ouvia, mas seguiu achando que havia bebido demais, chegou mais próximo a um amontoado de sacos de lixo, estava com muita fome e se lamentava por essa ser a única forma de sacia-la.
Ao rasgar o primeiro saco de lixo atolou seus dedos em papel higiênico usado, aquilo não o fez expressar nenhum enojamento, o que me levou a crer que era corriqueira aquela situação. O choro me agoniava, mas não causava efeito algum no rapaz. Entre um lixo e outro o sujeito de nome esquecido ergue contra a luz mal projetada um saco preto, ao abrir, seus olhos espantados confirmaram a estranheza da origem do som, se espantou pela sobrevivência e engoliu seco, era um bebê. Estava enrolado em uma manta rala de cor azul.
Ainda com riscos de sangue no corpo e um curativo porcamente feito, a criança com cor de barro desistiu do choro e se calou. A fome do rapaz era enorme, assim como o teor de álcool em seu sangue, surgiu o pensamento de que a criatura não faria falta para ninguém se morresse, e talvez fosse uma refeição saborosa e com a carne suculenta e macia, pensou por uns instantes enquanto analisava o pequeno com expressão sofrida e cansada do dom da vida. De repente uma espécie de soco psíquico o golpeou e reprimiu aquele pensamento para sempre.
Havia desistido de caçar comida quando percebeu que alguns garotos desciam o escadão ao lado, levantou com os joelhos molhados pelo chorume, envolveu a criança em seus braços junto ao peito e apressou seus passos. No caminho sentiu um pouco de medo, não acreditariam no que ele havia encontrado em sua busca por comida, mas sabia que o pequeno não sobreviveria em meio a resto de comida e papel higiênico usado. Decidiu deixa-lo na porta de alguma casa que pudesse ajudar. Arquitetou tudo, o deixaria em frente a uma casa do bairro, apertaria a campainha e correria para que ninguém o visse devolvendo o direito de viver para o bebê, evitaria explicações. O neném acordou, mas chorava sem forças, pensou que tinha de se apressar, não entendia a razão de jogar uma criatura sem defesas direto para a morte, ele não venceria contra o simples nó da sacola.
Parou em frente a uma casa de esquina, deduziu que ali vivia uma família decente com bom coração. A casa castigada pelo tempo tinha cor verde, seu portão de ferro tentava esboçar alguma proteção com suas pontas de lança afiadas. A caixa de papelão que encontrou próximo do local serviu de berço confortável para o coitado que não chorava mais, o mendigo não quis verificar se ainda estava vivo. Preparou-se para partir, o acordar do sol estava próximo, tocou a campainha por três vezes e partiu a passos largos em direção ao outro lado da calçada. 
O ouvido que escutou o choro agudo, agora escutava o som do pneu derrapando no asfalto, era a morte lhe encontrando em forma de carro guiado por jovens, igualmente bêbados. A ironia vem em forma de destino, ao abrir o saco para retirar uma vida, o deixou aberto para que sua própria morte o preenchesse.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Poema: Silêncio

Silêncio

Fazemos do preto
um arco-íris reluzente
da calmaria,
reviramos em bagunça
mesmo que sem mover um músculo.
Podemos nos transformar em Reis,
gloriosos por batalhas e conquistas
governar Reinos,
se aventurar em bosques encantados,
mergulhar em lagos mágicos
e salvar lindas Princesas.
Podemos ser astros da música
ter uma voz magnífica
encantarmos a multidão
e sermos aclamados por eles.
Jogamos um excelente futebol,
salvamos vidas em risco,
pilotamos carros de fórmula 1,
saltamos de prédios,
somos peritos em arte marcial
e ganhamos milhões de dinheiro.
Construímos uma longa carreira
de sucessos e prazeres,
nos vemos no futuro
com filhos lindos correndo pela casa
e uma esposa perfeita aos nossos cuidados.
Recebemos um confortável e macio abraço
de nossa maravilhosa mãe.
Estamos entre os magistrais amigos
tendo gargalhadas
entre as simplórias conversas
e saboreando uma verdadeira amizade.
Podemos realmente dizer
que somos felizes.
E mesmo assim
se dermos uma pausa
na avalanche de pensamentos
que nos dão motivo para a alegria,
a escuridão e o frio
tomam nossos corpos em instantes.
Entre um silêncio e outro
percebemos que somos sozinhos,
percebemos que fomos completos apenas no passado,
percebemos que com o passar do tempo
somente as tristezas aumentam
e que as felicidades seguem apenas uma linha.
Pensamentos desgraçados nos tomam a mente
nos sugam o brilho,
agora estamos em conflito
no meio da loucura e a realidade,
é cada vez mais desgastante.
Os danos físicos
podem causar dores enormes,
mas dor inexplicável
é o sofrimento por ter a solidão.


Ali Chamas                          19/05/2009

Poema: Dizeres

Dizeres

E se eu lhe dissesse
que ao teu cantar
soara como a mais perfeita
sinfonia de Bethoveen.
E se eu lhe dissesse
que ao teu olhar
a mais brilhante das estrelas
ilumina o paraíso.
E se eu lhe dissesse
que ao teu sorrir
encanta e desperta alegria
em até mesmo o ápice dos infelizes.
E se eu lhe dissesse
que a solução do meu estresse
causado por poluições diversas
é escutar o teu cantar.
E se eu lhe dissesse
que a mais pura certeza
de felicidade,
vem com o teu olhar.
E se eu lhe dissesse
que a mais árdua tristeza
é curada com apenas o mais singelo
dos teus sorrisos
e se eu lhe dissesse
o quanto preciso diariamente
do teu cantar,
do teu olhar,
e do teu sorriso.
E se eu lhe dissesse
o quão importante és a mim.
E se eu lhe dissesse
que não há ninguém tão realizado
quanto a mim, estando ao teu lado.
E se algum dia dizeres
que não sou eu o seu querer,
ficarei em uma constante
doença amargurada
e morrerei todos os dias
em uma dor
sem tempo de fim.

18/02/2009                          Ali Chamas.

Mayssa Ali Chamas

Apenas para agradecer todo o carinho que recebemos de todos.
Ao acordar de uma noite mal dormida, em segundos me dei conta que era o grande dia. Confesso que os sentimentos eram estranhos, estava nervoso, ansioso e extremamente quieto.
Ao ver a Mainã, meu humor mudou, talvez porque eu sabia que ela precisava rir um pouco, descontrair. A partir dai, foi só alegria e espera, com nosso jeitinho "bixos" de ser, encantamos todo o hospital fazendo todos rirem e gostar de nós. Na chegada da hora do parto, é claro que o paizão foi acompanhar o parto! (hahaha) fiz meu papel bem, fiquei ao lado dela, a fiz rir mesmo sendo cortada! Quando aceitei o desafio de ver a retirada do bebê o destino me pregou uma peça. Acabei desmaiando, mas não aquele desmaio de filme, apenas perdi os sentidos durante alguns dois segundos e já fiquei bem novamente. Foi engraçado e claro que iria acontecer comigo. 
Mayssa nasceu com 3,4 quilos e 0,49 centímetros no dia 01/02/2013, um bebe que encantou a equipe medica. Os médicos elogiaram os pais da Mayssa também disseram que somos muito, muito, mas muito divertidos.
Seja bem vinda e tenham a certeza de que iremos fazer tudo para o futuro brilhante de nossa pupila.

Doença Perfeita

“Seria este mais um texto de amor? Palavras encantadas tentarão descrever o que vivo, palavras tentarão fazer delas um presente digno de quem a merece.”
            Quão grande é a felicidade que lhe traz? Quão forte é sensação de paz? Quão iluminado é o pensamento? É impossível expressar em palavras o que o sentimento diz e o que a presença transmite. Tudo bem, tudo isso nós já sabemos, centenas de textos redigidos com o mesmo propósito tentam nos dizer quando estamos amando ou apaixonados, alguns muito fantasiosos, outros ilusórios, mas poucos textos sinceros. Acredite!
            Neste texto falaremos de representação amorosa de uma forma que transforme o sentimento em algo tangível, há algum formato? Há algum tamanho? A cada romance nós fazemos e refazemos comparações. Não há hipocrisia que disfarce, a tendência é que a cada relacionamento te complete mais que o anterior e nesse exato momento nascem às comparações. Mas como se mede o amor? Qual a medida do sentimento? A comparação é inevitável, mas há alguma forma de distinguir qual fora a melhor? Muitos dizem que é pelo tempo que durou, ou pela intensidade vivida, ou ainda tempo de esquecimento, e alguns xucros medem pela beleza ou por seu prazer sexual. Na realidade cada um tem uma parte da verdade, o melhor amor fora àquele que te fez sentir melhor consigo mesmo.
            Adoro ser o que sou para qualquer um e muito mais para a pessoa que amo, esse deveria ser o pensamento. Inúmeros casais vistos publicamente vivem o que chamo de romance cinematográfico, passeio na praça, algodão doce no cinema, brigas para arremessar aliança e mãos dadas sempre, os mais românticos. Muitas pessoas não transparecem a pessoa que é para quem ama. Na minha concepção, uma verdadeira babaquice, repito, não há hipocrisia que disfarce quando se faz de outro alguém.
            Gosto de minha liberdade, fazer rir quando quero rir, dormir abraçado quando quero abraçar, for beijado quando quero beijar e receber carinho quando quero o silêncio. Não abraçar quando não quero abraçar, não andar de mãos dadas quando incomoda e parar o carinho quando que demasiado vira irritação na pele. O romance será perfeito se fizermos disto uma experiência sinceramente virtuosa. Hoje adoro ser quem sou, me compreendo completamente e sei transmitir o que desejo e quando desejo.
            Para finalizar gostaria de dizer que sua representação amorosa é quando não ocorrem conflitos internos, quando sua personalidade e seu caráter não se apagam pela pessoa amada, apenas faz o que gosta de fazer e tudo é representado com sinceridade. Podemos dizer que tamanho do amor é idêntico à medida de sua felicidade, e o formato do mesmo traduz o que exatamente se tornou com aquele romance.

Minha eterna Dona Leila

Aluxinho, com voz doce era como me chamava quando queria um favor ou mesmo apenas ver e tocar-me o rosto. Ali, em um grito longo era como me chamava quando queria me dar uma bronca ou chamar minha atenção por algo que aprontei. Fato é que gostaria de escutar qualquer nome que me chamasse mais uma vez. Domingo 3 de Julho vem a morte uma das mulheres mais honrosas da família, a velha mais engraçada sem duvida, recordo-me quando no dia seguinte de alguma festa ou casamento nos juntávamos em sua casa para um belo almoço de domingo e futricava sobre noites passadas, intrigava sobre roupa ou postura de algum convidado/parente e sempre acabava em gargalhadas, era gostoso ouvir aquela risada.
Uma mulher de muitos amores, orgulhosa casa recheada de netos em praticamente todos os finais de semana. Filhos, Netos, Sobrinhos, Amigos, dezenas cresciam ao seu redor, escutavam seus conselhos, suas brigas, suas histórias, lembro-me muito bem a quantidade de horas que ficávamos conversando sobre sua infância, sobre minha infância e sobre todas as outras histórias que guardara. És amada.
Poderia ficar escrevendo horas sobre minhas lembranças para com minha "vó", e mais horas sairiam se lhes contasse sobre os sentimentos dos que a rodeavam e mais algumas se contasse sobre o enterro e desespero da perda naquele longo e cinzento domingo.
A alegria das lembranças não deixara de aquecer nossos corações, a felicidade fornecida honrara a família eternamente, gloriosa mulher, virtuosamente merecida cada lagrima derramada em seu leito. A ultima imagem deixada  era de uma eterna "SITO", linda como nunca visto antes, deslumbrante, exalava felicidade mesmo com a morte. Hoje conscientizamos que a senhora partiu para um lugar acima de todos nos e que ira olhar e rezar pelos filhos deixados. No dia 3 de Julho de 2011, muitos voltaram para casa sem a Irmã, sem a Mãe, sem a Vovó, sem a Tia, sem a Prima, sem a Amiga Leila Orra Saleh.

Por favor, quem tiver alguma lembrança de nossa eterna Dona Leila, deixar em comentário para que fique documentado todos os atos ilustres de nossa amada.


Descanse em PAZ, minha Eterna Dona Leila.

Sentimento Branco

Aqui começa o nosso segundo post, o assunto deste é, mais uma vez, baseado em um de meus poemas "Dizeres". Quem não sente a urgência de ter quem amar todos os dias? Quem não se sente voar quando ama?AMAR é o sentimento ilusório com mais poder existente nos seres humanos, pode parecer estranho, mas, mais da metade das pessoas que dizem que um dia amou ou ama, nunca teve a idéia da tamanha felicidade, é inexplicável as ações e reações que possuímos quando estamos amando, indescritível o sorriso bobo, o rosto avoado, o pensamento distante e as batidas aceleradas do coração no encontro com a amada. Amar é complexo e não envolve apenas a troca de olhares, carinhos e palavras de amor, e é nessa complexidade em amar que muitas pessoas se perdem entre estar amando ou ter uma simpatia/gostar/atração por alguém, a necessidade de autoconhecimento é eminente, faz-se importante se conhecer para entender o que acontece com você quando está ao lado da pessoa para não se iludir e acabar alimentando algo inexistente ou até mesmo desistir precocemente de algo que talvez lhe trouxesse felicidades.
Ao contrário do que muitos pensam ninguém nasce amando, ninguém ama antes de conhecer tão intimamente alguém, muitos amam a imagem algo que somente a imaginação e vontades obscuras criaram. É necessário que conheça todas as virtudes, defeitos, sonhos, medos, histórias, amigos, jeitos, beijos, carinhos, o caráter, a dignidade e todos os outros milhões de valores que nunca são revelados em um período relativamente curto de tempo.
Amar é ensinar e aprender constantemente, é o querer, o respeito, o orgulho, é a essência do dia, é reconhecer os passos à distância, é sentir-se confortável ao abraço, é o reconhecimento do cheiro, a suavidade da voz, o ombro do choro, a risada da conversa, a diversão da companhia, o brilho do olhar, é o encaixe dos corpos, o desejo, o fogo, o sol, o paraíso, a liberdade segura, a saudade freqüente, o ciúme gostoso entre outras maravilhas do amor. A tantas formas de amar, e aqui apenas citamos o amor de casal, mas existem amores como; o amor de família, o amor de mãe, o amor de irmão, amor de amigos, e o amor de Deus. Amar é a certeza que coração e a mente estão finalmente em paz.